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Computadores alienígenas ultrafrios podem deixar uma assinatura detectável pela Terra

Computadores alienígenas ultrafrios podem deixar uma assinatura detectável pela Terra

Sim. Até nisto a inteligência artificial está botando o bedelho! O apetite por poder computacional tem sido tão voraz que já influencia desde a produção de chips até o planejamento energético de países inteiros. Muita gente aposta que a atual febre de IA é uma bolha prestes a estourar, mas isso não significa que vamos abandonar os computadores. Desde a criação das primeiras máquinas de calcular, nossa sociedade só fez crescer em capacidade de processamento — e em dependência dessa tecnologia. Se a computação é uma marca da nossa civilização, uma pergunta intrigante é: seria ela também uma marca de outras civilizações pelo cosmos?

Essa é a ideia levantada por Michael Garrett em um novo estudo disponível no arXiv, um repositório de artigos científicos ainda em pré-impressão. O pesquisador argumenta que uma civilização tecnologicamente avançada levaria a computação ao seu estado mais eficiente, e que esse esforço deixaria uma assinatura energética identificável: o chamado halo de Slysh.

De onde vem a ideia do halo de Slysh?

O termo homenageia V. I. Slysh, pesquisador que já defendia que civilizações avançadas se beneficiam de ambientes frios. A lógica é simples: se você consegue fazer sua tecnologia operar em temperaturas superbaixas, a tendência é que ela se torne muito mais eficiente. Computadores reais seguem essa regra, e o motivo está na física.

O frio como moeda de troca na computação

Nossos próprios data centers são uma prova de que isso não é só teoria. Eles geram tanto calor que precisam de sistemas de refrigeração de alto nível para não derreterem. Existem processadores que conseguem operar em temperatura ambiente de forma mais eficiente, mas geralmente não entregam a mesma capacidade bruta de processamento.

Toda computação que não é reversível produz calor residual. Isso é uma consequência inevitável das leis da termodinâmica: apagar informação, por exemplo, sempre exige dissipação de energia. Por causa disso, não existe eficiência perfeita — existe um limite mínimo de energia gasta por operação.

Nesse limite entra o princípio de Landauer, que estabelece que a eficiência máxima de uma computação não reversível depende da temperatura de operação. Quanto mais perto do zero absoluto o processador trabalhar, menor será a energia desperdiçada em calor. Um exemplo dado no artigo: um computador ideal a 10 kelvin seria cerca de 30 vezes mais eficiente que um operando a 300 kelvin, aproximadamente a temperatura de uma sala.

Uma esfera de processadores em volta de uma estrela

Um halo de Slysh leva essa busca por eficiência ao extremo. A ideia é espalhar um número imenso de computadores ultrafrios em uma casca esférica ao redor da estrela. Esses equipamentos ficariam perto o bastante para capturar a luz estelar como fonte de energia, mas ao mesmo tempo distantes o suficiente para manter a temperatura do espaço profundo. Como uma civilização construiria e manteria essa estrutura? O artigo não responde, deixando isso como exercício para o leitor.

O ponto central é que esses computadores, mesmo operando de forma quase perfeita, ainda emitem um pouco de calor residual. E saber como esse calor se apresenta para nós é o que pode tornar o halo detectável.

Uma assinatura em infravermelho distante

Segundo o autor, a temperatura mais provável para os equipamentos de um halo de Slysh ficaria entre 5 e 30 kelvin. Como consequência, o calor residual apareceria no infravermelho distante ou no espectro submilimétrico, faixas de luz que astrônomos conseguem observar com instrumentos especializados.

Mas há complicadores. Muitas estrelas têm halos naturais de detritos ao redor, como é o caso da Nuvem de Oort no Sistema Solar, e esse material também brilha em submilimétrico. Além disso, o calor emitido por um enxame difuso de computadores seria bem mais fraco que o brilho da própria estrela, o que dificulta a detecção.

Ainda assim, as contas indicam que um halo de Slysh completamente otimizado seria brilhante o bastante para ser observado a uma distância de até 100 anos-luz. Outra pista importante: enquanto poeira e detritos tendem a emitir em uma ampla faixa de frequências, os computadores ultrafrios emitiriam em uma banda estreita, uma assinatura muito mais nítida e incomum.

O que podemos fazer agora?

O brilho esperado de um halo desse tipo fica bem no limite dos telescópios atuais, como o observatório ALMA, que opera no deserto do Atacama, no Chile. Isso significa que astrônomos poderiam começar a revisar dados já captados na busca por algum sinal desse tipo em estrelas próximas. Com a chegada de telescópios ainda mais sensíveis no infravermelho distante e no submilimétrico, as chances de encontrar um halo de Slysh — ou de confirmar que ele não existe — só aumentariam.

Se não aparecer nenhuma dessas assinaturas por perto, talvez a conclusão seja que não há civilizações avançadas em nossa vizinhança cósmica. Ou, como o próprio estudo sugere com um trocadilho, a presença de alienígenas inteligentes em sistemas estelares vizinhos simplesmente não computa.

Fonte: UniverseToday

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