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Robôs domésticos: a revolução que ainda não chegou à pia da cozinha

Robôs domésticos: a revolução que ainda não chegou à pia da cozinha

Quem cresceu nos anos 80 e 90 assistindo a filmes como Star Wars, O Exterminador do Futuro ou a série Jornada nas Estrelas, provavelmente imaginou que hoje viveríamos cercados de robôs para tudo. Eu, inclusive, passei boa parte da minha adolescência achando que teria um androide como o C-3PO para me ajudar — ou pelo menos um R2-D2 para me avisar quando a pizza esfriasse.

A verdade é que a robótica avançou muito, mas não exatamente do jeito que a ficção científica prometeu. Ainda assim, estamos diante de um momento parecido com o da chegada da internet: a popularização dos robôs é iminente, e a China, sem sombra de dúvidas, é a grande protagonista dessa história.

A China como a grande motorista da revolução robótica

Não é segredo que, quando falamos em produção em escala, a China leva a melhor. O país já domina a fabricação de eletrônicos, veículos elétricos e painéis solares. Agora, está fazendo o mesmo com a robótica. Empresas chinesas estão investindo pesado em robôs humanoides, em automação industrial e, principalmente, em reduzir os custos de produção dessas máquinas. Isso é fundamental: para um robô chegar de vez na casa das pessoas, ele precisa ser acessível, e a China sabe como fazer isso.

Lembra quando o celular era artigo de luxo? Depois em pouco tempo, se tornou algo banal e, é quase impossível encontrar uma pessoa que não tenha sua vida girando em torno de um celular hoje em dia.

Vários fabricantes chineses já apresentaram protótipos de robôs com uma agilidade impressionante. Eles dançam, correm, sobem escadas e até fazem acrobacias. A cada semana surge um vídeo novo de um robô fazendo coisas que, até pouco tempo, só víamos em filmes.

A dura realidade das tarefas domésticas

Pois é… Apesar de as empresas adorarem mostrar robôs fazendo parkour ou jogando basquete, se querem vender um robô PARA MIM, me mostre um humanóide lavando louça, passando roupa ou varrendo o chão. Ter um robô acrobata que sabe dar soco e voadora, não é muito bem o que eu gostaria de ter dentro de casa.

Claro que já existem aspiradores robôs (eu tenho um) e até máquinas de lavar inteligentes, mas isso ainda tem um caminho longo a percorrer. O que a gente espera — e eu falo por mim e por muita gente — é um robô que consiga, de fato, cuidar das tarefas entediantes da casa. Não quero um robô que me faça companhia enquanto eu lavo a louça. Eu quero um robô que lave a louça por mim.

O problema é que essas tarefas são absurdamente difíceis de automatizar. Enquanto uma fábrica trabalha com peças padronizadas, uma cozinha é um ambiente cheio de imprevistos. Cada louça tem um formato, cada panela tem um tamanho diferente, e a bagunça é única a cada dia. Para um robô dar conta disso, ele precisa de uma percepção de mundo muito avançada, algo que ainda está longe de ser barato ou confiável. Por isso é muito mais fácil para um robô dar um triplo mortal carpado do que dobrar uma simples roupa.

O futuro promissor do cuidado com idosos

Se as tarefas domésticas ainda são um desafio, há um outro campo em que a robótica vai explodir em breve: o cuidado de idosos. E isso não é papo de futurista maluco. O envelhecimento da população é uma realidade no mundo inteiro, e aqui no Brasil não é diferente. Cada vez mais famílias precisam de apoio para cuidar de parentes que já não conseguem morar sozinhos, e a demanda por cuidadores profissionais já é enorme.

É aí que entram os robôs de companhia e assistência. Imagine um androide que lembre o idoso de tomar o remédio, ajude a levantar da cama, prepare uma refeição simples e ainda puxe conversa para evitar a solidão. Isso não é ficção científica distante; há empresas trabalhando nisso agora, principalmente na Ásia, onde a velocidade do envelhecimento é ainda mais intensa.

Eu, sinceramente, não teria a menor restrição em ter um androide me auxiliando quando chegar a idade em que eu não conseguir mais cuidar sozinho da minha higiene pessoal. Prefiro mil vezes um robô paciente e programado para me ajudar com dignidade do que depender exclusivamente da boa vontade de terceiros ou deixar minha família sobrecarregada.

E olha que eu sou um cara que cresceu assistindo Exterminador do Futuro. Mas, na real, a ameaça que pintam nos filmes não combina com a robótica prática que estamos vendo surgir – mesmo vendo tanto a China quanto EUA com Boston Dynamics demonstrando exaustivamente suas habilidades robóticas com guerra e artes marciais – estamos muito mais próximos de um robô que ajuda a cuidar da avó do que de uma máquina decidindo exterminar a humanidade (e espero não estar enganado).

PS: Não quero um robô me sentando chute na cara!
PS: Não quero um robô me sentando chute na cara!

O que ainda estamos esperando

Dito tudo isso, dá para resumir o cenário assim: a infraestrutura e a vontade de popularizar os robôs já existem, e a China está acelerando isso de forma impressionante. Em poucos anos, vamos olhar para trás e nos perguntar como vivíamos sem um robô por perto — algo parecido com o que sentimos hoje quando lembramos da vida sem internet ou sem GPS.

Mas, enquanto esse futuro não chega de vez, fica aqui o meu pedido público aos engenheiros e empresas de tecnologia: por favor, priorizem a pia de cozinha. Um robô que lave pratos, panelas e talheres já vale mais do que todos os robôs dançarinos do mundo. Não estou dizendo que as acrobacias não são legais — elas são. Mas não mudam a minha vida na terça-feira à noite, quando eu chego exausto e a pia está transbordando de louça.

E não me leve a mal: também acho maravilhoso que existam robôs humanoides fazendo gestos delicados, servindo drinques ou equilibrando bandejas. Isso mostra o avanço tecnológico e o trabalho incrível dos engenheiros. Mas a verdadeira revolução vai acontecer mesmo quando a tecnologia estiver a serviço do trivial, do cansativo e do entediante.

Enquanto isso, sigo na torcida. A China está mostrando o caminho, e aqui no Brasil vamos nos beneficiar disso, direta ou indiretamente. Quem sabe um dia desses eu importo um desses modelos e o transformo no eletrodoméstico mais querido da casa. Aí, sim, a era dos robôs vai ter começado de verdade para mim. E, com sorte, ainda teremos a internet das coisas, a inteligência artificial e a robótica trabalhando juntas para nos dar aquilo que mais desejamos: um pouco mais de tempo livre para fazer o que amamos.

Fonte: reuters.com

1 comentário

  1. […] a realidade doméstica continua praticamente intocada. Em um artigo recente que escrevi aqui no Diário Geek, falei sobre como a revolução dos robôs domésticos ainda não chegou à pia da cozi…. Lá, destaquei as dificuldades que os robôs atuais enfrentam para executar tarefas simples do dia […]

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