Você já deve ter percebido que a inteligência artificial é uma faca de dois gumes. Por um lado, ela responde as nossas perguntas em segundos, resume textos e até sugere o que assistir no fim de semana. Por outro, ela está literalmente tirando o pão dos sites que dependem de cliques e visitação para se manter. E não sou eu que estou dizendo: os dados de tráfego de milhares de publishers despencaram desde que as ferramentas de IA generativa entraram na moda.
Foi exatamente pensando nisso que o Google resolveu agir — ou pelo menos tentar. Na última quinta-feira, a gigante das buscas anunciou uma novidade que pode dar um respiro para blogs, portais de notícias e qualquer outro site que sofra com a queda de acessos: um botão interativo que permite ao leitor marcar aquele veículo como “fonte preferida”. A ideia é que essa preferência seja usada para destacar o site nos resultados do Google Search, no feed do Discover e também no Google News.
Se você está por dentro do mundo da tecnologia, sabe que isso não é uma novidade absoluta. Desde maio, o Google já oferecia uma função parecida dentro das suas experiências com IA, como o AI Mode e o AI Overviews, além do famoso Top Stories. O que muda agora é que a empresa transformou essa ideia em um botão público, que pode ser incorporado em qualquer site. Ou seja: o publisher pode colocar o botão lá na homepage, no rodapé ou até mesmo dentro de um artigo, e o leitor clica para indicar que quer ver mais daquele conteúdo na sua vida digital.
A queda de tráfego causada pela IA
Vamos ser sinceros: a IA virou uma espécie de vilã para muitos criadores de conteúdo. Antes, quando você queria saber alguma coisa, fazia uma busca no Google e clicava no primeiro resultado, certo? Agora, o próprio Google já responde a sua pergunta de forma completa, sem que você precise sair da página. É prático, mas devastador para os sites que vivem de anúncios e assinaturas.
Por isso, o Google está tentando amenizar o estrago. Segundo a empresa, estudos internos mostraram que as pessoas têm o dobro de chance de clicar em um link quando ele é de uma fonte que elas mesmas escolheram como preferida. Isso é um baita argumento para convencer os publishers de que a novidade pode fazer diferença no bolso.
Como funciona o botão de fontes preferidas?
A mecânica é simples. O leitor que quer ver mais conteúdo de um site específico pode fazer isso de duas formas: a primeira é visitar a página de preferências de fontes do Google, fazer uma busca pelo nome do site e adicioná-lo à lista. A segunda é clicar no tal botão que o publisher colocou no próprio site, o que é ainda mais rápido — um clique e pronto, o Google já sabe que você quer ver mais daquele veículo.
Para os publishers, a recomendação é clara: se você tem um site, coloque esse botão em locais estratégicos (anotado!). Seja na barra lateral, no final dos artigos ou até em um banner fixo. Quanto mais fácil for para o leitor marcar o seu site como favorito, maiores as chances de você aparecer com destaque nas buscas daqui para frente.
O que o Google está fazendo para atrair os publishers?
Além do botão, a empresa divulgou dados para convencer o mercado de que vale a pena embarcar nessa funcionalidade. Até agora, mais de 345 mil fontes únicas já foram selecionadas por usuários desde maio, quando a ferramenta foi lançada nas experiências de IA. É um número considerável, mas ainda pequeno perto do volume de buscas diárias que o Google processa.
Ainda assim, é um movimento importante. O Google quer mostrar aos publishers que não está simplesmente ignorando o problema do tráfego em queda. Pelo contrário, está tentando criar mecanismos para que os usuários tenham mais controle sobre o que veem, e os sites continuem relevantes. Aqui no Brasil, onde a maior parte do tráfego de notícias vem de busca orgânica, essa novidade pode ser ainda mais significativa.
Discover mais personalizado e com comandos de voz
Além do novo botão, o Google também anunciou que o feed do Discover vai ganhar um nível extra de personalização: A ideia é que o usuário consiga usar as suas próprias palavras para ajustar o conteúdo.
Quer ver mais notícias sobre cinema e menos futebol? Basta tocar no menu de três pontinhos e escrever ou falar algo como “quero ver mais sobre filmes” ou “mostre menos futebol”. O sistema usa IA para entender a linguagem natural e ajustar o feed em tempo real. É quase como conversar com um assistente pessoal que decide o que você lê.
Essa funcionalidade é um reflexo de uma tendência maior: as plataformas estão devolvendo um pouco do controle ao usuário. Várias redes sociais, por exemplo, já lançaram ferramentas para as pessoas ajustarem seus algoritmos de recomendação. É uma resposta àquela sensação de “por que meu feed só me mostra isso?”. Antes, a gente só podia aceitar e deslizar. Agora, podemos interferir, ainda que de forma limitada.
Será que isso resolve o problema?
É cedo para afirmar que o botão de fontes preferidas vai salvar a indústria de conteúdo. O problema da queda de tráfego é estrutural e envolve uma mudança enorme no comportamento das pessoas, que cada vez mais preferem respostas rápidas a leituras extensas. Mas dar aos leitores a chance de escolher suas fontes é um passo na direção certa.
Você já pensou em quais sites não podem faltar nas suas buscas diárias (tipo… Diário Geek)? Então fica a dica: se você tiver algum portal preferido, marque essa fonte antes que a IA decida tudo por você. Porque você sabe que é comum o algoritmo erra feio nas escolhas quando não se tem parâmetros o suficiente, então, nada como dar uma mãozinha para não tornar seu feed uma caixinha de surpresas.
Fonte: TechCrunch